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O Abraço

Published by Malkyn under on 4/10/2011 10:32:00 PM
A lua se impunha alta, cheia, cor prata em mistura às nuvens, a luz refletida na lagoa e na cachoeira, que no movimento das águas produzia um espetáculo de reflexos na vegetação próxima, realçada pelo deslocar dos ventos. A moça mal sabia como havia parado ali. Seduzida, deixou-se levar, tragada por palavras, gestos, falar. Agora, assustada, se via recostada no tronco de uma grande árvore, seus olhos fechados, ouvindo a respiração e o ofegar se aproximar de seu rosto. Podia sentir o calor do corpo vindo em sua direção, próximo, e mesmo o medo que sentia no peito não era capaz de lhe livrar desse estado de entrega. Tinha ciência de que algo aconteceria, mas era incapaz de mover-se.

Ele a pegou pela mão, levantando seu braço e encaixando seus dedos nos dela, usando o tronco da árvore como escoro. A outra mão posou sobre a fina cintura da moça, e ao aproximar-se de seu pescoço, arfando, exercia leve pressão sobre ela, arrancando leves suspiros de sua vítima. Deixou-se, por um momento, comprazer ao ver o rosto da moça, os lábios semi-abertos, a respiração ofegante seguindo o compasso de seus suspiros e gemidos, a pele ruborizada, olhos fechados à espera do inevitável. Podia sentir ali a vontade, o desejo e ainda assim o medo de sua  vítima. Recostou-se sobre o pescoço da moça e levemente o beijou, duas, três vezes. Abriu então a boca, e deixou que os caninos a tocassem na pele. Se deliciou com o arrepio causado na moça e ali, naquele instante, a tomou em abraço.

Um grito alto irrompeu o vasto céu, enquanto as nuvens moviam-se como se nada houvesse ocorrido, enquanto os vagalumes cintilavam em rodopios no leito de Alvaluz. Seus dentes cravados no pescoço da moça, o gosto virgem de sangue lhe escorrendo pela boca, o sabor e a delícia de possuí-la. Sem relutar, a vida da moça se esvaia a cada sugada, a cada gole de sangue que seu algoz sorvia.

Ele tomou a moça pelas costas, segurando vigorosamente seu corpo já sem forças, quase a engolindo. Sorveu seu sangue até deixá-la inconsciente, pálida, fio de morte. Deitou-a então com cuidado no chão, deixando sua cabeça recostada no pé da árvore. Admirou a beleza mórbida de sua vítima, sua pele alva, a expressão em seu rosto, os dois furos em seu belo pescoço. Linda visão!

Tocou-lhe a face, ajeitando-lhe os longos cabelos cacheados e, rasgando o próprio punho, deu-lhe de beber seu sangue. As primeiras gotas respingaram nos lábios da moça, tingindo sua pele de vermelho escuro, dando-lhe sobrevida. Logo, sua boca estava ávida por mais, e seu corpo começava a buscar mais sangue. Ele então pôs o punho na boca da moça, que sugava cada vez com mais vigor, como se fosse a primeira refeição em muito tempo. Deixou-a sugar um bom tempo, até que a sentisse com vigor. Tomou-lhe o punho, puxando-a pelos cabelos. Fitou-a nos olhos, longamente, a colocou ajoelhada no chão, dobrou-se o corpo e a encheu com um beijo. Beijo ardente, quente, tanto quanto o sangue que acabara de servir.


Seus corpos entravam em comunhão, sangue com sangue, boca com boca. Selou-se assim o contrato entre eles, e a noite foi curta para tantos prazeres que ali se iniciaram.



By Durhfein

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