Thinkin' About

the space between...

Distante

Published by Malkyn under on 4/06/2011 08:23:00 PM
Uma leve bruma se formava nos arredores do feudo de Catedália, e Malkyn quase sentia o cheiro do mar, tinha quase certeza de que o nevoeiro vinha de lá, apesar do mar estar a tantas milhas dali. Se um dia se sentira acuada naquela terra de gales, agora sentia que conhecia todos os cantos e cheiros.

Durhfein era uma boa companhia, ainda que misteriosa. Conduzia as conversas pelos caminhos que bem entendia, e, ainda que tendo uma certa amistosidade, não entendia as intenções dele para com ela. Ainda tinha dúvidas de se eram amigos ou se era apenas uma distração, como uma criança com um novo animal de estimação, o qual ganha toda a atenção enquanto ainda se há truques novos a serem descobertos. Durhfein nunca a procurara como sua mulher, então - se perguntava - por que havia de ter querido matrimônio?

Sempre dormindo em quartos diferentes, Malkyn tinha toda a liberdade de ir a todos os cômodos, com exceção da torre, onde Durhfein passava boa parte do dia envolto em seus negócios. Ela não deveria procurar Durhfein, ele havia deixado bem claro que quando quisesse sua companhia, a procuraria. Passava então boa parte do dia na biblioteca, desfrutando de suntuoso acervo que inacreditava estar reunido em um só lugar.

À noite, em seus delírios febris, por vezes tinha a impressão de ver Durhfein em seu quarto, mas, pela manhã, a porta trancada por dentro lhe confirmava o que só o delírio poderia explicar. Ele sequer a tocava. Sentia-se uma leprosa por não conhecer nem ao menos a textura das mãos de seu próprio marido. Secretamente desejava que Durhfein a visitasse com fazia quando ainda estava no feudo de St. Bridgit, o que confirmava que eram apenas delírios de pavor seus sonhos e pressentimentos, Lord Durhfein nunca havia a tocado a não ser em seus sonhos. Era quando lembrava de seus sonhos que tinha suas noites mais febris.

O outono se findava, e a cama cada vez mais vazia e gelada fazia com que Malkyn tivesse nos momentos de conversa com Durhfein seus únicos momentos de prazer. Como em uma síndrome de estocolmo, Malkyn aos poucos se entregava a um amor aparentemente platônico, afogando-se num misto de enfermidade e depressão. As febres cada vez mais constantes lhe davam delírios épicos, uma viagem pelos romances lidos e desejos reprimidos.

(...)

Sua consciência estava por um fio, e o paradeiro de Durhfein, como sempre, era desconhecido. Estava obstinada a descobrir quem era seu senhor, o que era dela omitido, e o que Durhfein afinal queria dela. Dirigiu-se então até a torre.

Continua...

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